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Lava Jato investiga fraudes nas Olimpíadas Rio 2016

Nusman na entrevista coletiva a respeito do balanço geral do jogos olímpicos do Rio em 22/08/16. Fotos: Francisco Medeiros/ME

Operação Lava Jato investiga suspeita de compra de voto para escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal têm o objetivo de cumprir mandados contra suspeitos de comprar jurados da eleição da cidade sede da Olimpíada de 2016. Na manhã desta terça-feira (05/09), eles prenderam Eliane Pereira Cavalcante, ex-sócia de Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur”, ex-dono da empresa Facility, que é procurado pelos agentes.

A operação, batizada de “Unfair Play” (“jogo injusto”, uma alusão a expressão “fair play”, utilizada no esporte), é mais uma etapa da Lava Jato no Rio de Janeiro. Em março, o jornal francês “Le Monde” havia denunciado que, três dias antes da escolha da cidade, houve pagamento de propina a dirigentes do Comitê Olímpico Internacional.

Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro é alvo

Por volta das 6h00, os agentes chegaram à casa de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Rio 2016, para cumprir mandados de busca. Os agentes permaneceram no local por cerca de 3h30. Também foram realizadas buscas na sede do COB. Às 10h15h, Nuzman chegou à sede da Polícia Federal para prestar depoimento.

As investigações encontraram indícios de que Nuzman teve participação na compra de votos de membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para os jogos e que teria sido o responsável por interligar corruptos e corruptores. Um dos votos que foi comprado foi de Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo e então membro do Comitê Olímpico Internacional, com intermédio de seu filho, Papa Massata Diack.

Por quebra de e-mails trocados entre os sócios, o Ministério Público Federal descobriu que o Arthur pretendia se mudar para o Uruguai. Como há suspeitas de que o presidente do COB tenha nacionalidade russa, ele está proibido de se ausentar do país e deverá entregar todos os passaportes que possuir.

Acordo com a França

O Ministério Público das Finanças francês já vinha fazendo investigações sobre a compra de votos e, por um acordo de cooperação, está trabalhando com o Ministério Público Federal do Brasil. Na manhã desta terça, autoridades francesas acompanhando a operação na casa de Nuzman, no Leblon, na Zona Sul do Rio.

Há um mandado de prisão preventiva contra Arthur Soares Filho, que vive em Miami, nos Estados Unidos, e pode ser preso lá. O empresário já é considerado foragido e está na Difusão Vermelha, a lista de procurados da Interpol. Para dar continuidade aos trabalhos, o MPF obteve na medida cautelar para realizar pedido de cooperação jurídica internacional com as Ilhas Virgens Britânicas, França e Estados Unidos, a fim de rastrear os recursos que Arthur Soares possui em nome de outras pessoas nesses países. Segundo as investigações, o dinheiro do esquema vinha do empresário, que chegou a ter contratos que somavam milhões de reais com o governo do estado. Arthur abastecia uma conta no Caribe, que era gerenciada por um operador financeiro do grupo de Sérgio Cabral.

Também foram expedidos mandados de busca e apreensão nas empresas AS Patrimonial, Pulse Participações, Laborvida Laboratórios Farmacêuticos, LHS Barra Empreendimentos Imobiliários, Grupo Prol S.A., NZ Palestras, Conferências e Estuados Eireli. Além disso, foram bloqueados diversos bens dos envolvidos, incluindo apartamentos em área nobre do Rio de Janeiro, carros de luxo e aeronaves.

 

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