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Polícia Federal prende presidente da Fecomércio-RJ e investiga desvio de recursos do Sesc e do Senac

Reprodução

Orlando Diniz é suspeito de usar o esquema de lavagem de dinheiro do ex-governador Sérgio Cabral

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro prenderam, na manhã desta sexta-feira (23/02), o presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz, em um desdobramento da Operação Lava Jato. Entre os desvios investigados, está a contratação de funcionários fantasmas com dinheiro destinado ao Sesc e ao Senac. Outras três pessoas são alvos de mandados de prisão.

Além de presidente Fecomércio-RJ, Diniz também é presidente afastado do Sesc-Rio. Ele foi afastado do comando do Sesc em dezembro pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de irregularidades no comando dessa entidade.

Afastado, Diniz usava influência para atrapalhar nova gestão

A Lava Jato tem indícios de que, mesmo afastado do Sistema S (nome dado às organizações como o Sesc e o Senac e que são bancadas por contribuições de empresas)  Orlando Diniz usava sua influência para atrapalhar a gestão atual. Os principais alvos desta operação, entretanto, estão relacionados à Fecomércio-RJ.

Além de Diniz, preso preventivamente (sem prazo para liberação) são alvos de mandados de prisão temporária (por cinco dias, prorrogáveis) Plínio José Freitas Travassos Martins, Marcelo José Salles de Almeida e Marcelo Fernando Novaes Moreira. Até as 8h15, havia a confirmação da prisão apenas de Plínio José. Segundo o MPF, eles são funcionários da Fecomérico-RJ.

Organização criminosa de Sérgio Cabral

Os investigadores apuram indícios de que Diniz usou o esquema de lavagem montado pela organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral para lavar dinheiro. De acordo com o Ministério Público, Diniz teria utilizado Álvaro Novis, mesmo doleiro da organização criminosa de Cabral, para movimentar quantias de origem ilícita.

Segundo a investigação, as contratações fantasmas foram feitas a pedido de Cabral, e auxiliaram o ex-governador a aumentar a propina que era regularmente distribuída aos seus operadores mais próximos e seus parentes, num esquema que movimentou mais de R$ 7,5 milhões.

Outras operações 

Além da contratação fantasma, o MPF investiga outras operações feitas sob o comando de Diniz.  Segundo os investigadores, o presidente da Fecomercio-RJ gastou R$ 180 milhões em quatro anos com escritórios de advocacia, em contratos que fugiam das normas técnicas e de transparência dos órgãos sob sua responsabilidade. A suspeita é que ele tenha usado dinheiro público para se defender e se manter no poder dessas entidades.

Entre os escritórios contratados estão o da ex-primeira dama e mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, e o de Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, o mesmo escritório que defende o ex-presidente Lula na Lava Jato.

O contrato com o escritório de Teixeira e Zanin foi o mais caro entre eles: R$ 68 milhões, sendo R$ 1 milhão pago em espécie. Ao escritório de Adriana Ancelmo, segundo o MPF, a Fecomércio-RJ pagou R$ 20 milhões, utilizando verba pública federal obtida a partir de convênio com Sesc/Senac. Segundo o MPF, a contratação que justificou esses pagamentos são “absolutamente suspeita”.

Ainda de acordo com a investigação, o presidente do sistema Fecomércio-RJ utilizou o esquema de lavagem de dinheiro de Ary Filho, operador financeiro de Cabral, por falsos serviços prestados pela sua empresa Thunder com concessionárias de veículos e empresas de ônibus, movimentando cerca de R$ 3 milhões.

Os envolvidos são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro, de corrupção e pertencimento a organização criminosa. Além dos mandados de prisão, os agentes fazem buscas na sede do sistema Fecomércio-RJ, no Flamengo, Zona Sul do Rio.

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